Capa do livro Como Vencer na Grande Política

Política (não-ficção) · Editora Appris

Como Vencer na Grande Política

Classes Sociais e Suas Lutas

Como Vencer na Grande Política (Appris, 2023, coleção Ciências Sociais) é o tratado — “um manual para a realização da luta de classes de forma prática e objetiva, com a atitude do forte, aquele que luta para fazer o seu destino sem nada temer”. São 268 páginas escritas “para muito além de quaisquer objetivos culturais ou informativos”: almejam, diz o autor, “fins revolucionários em favor da nossa classe social, a classe trabalhadora”.

Seis capítulos constroem o argumento do concreto ao concreto. Os primeiros fixam o terreno: A Sociedade e seu Processo Histórico (o indivíduo e a sociedade, a cultura de uma época, as oportunidades de transformação) e A Economia Política (o trabalho, o capital, a classe, o Estado, o mercado, a mais-valia). O terceiro, O Sistema de Classes Sociais, define quem é a classe do capital e quem é a classe trabalhadora, a consciência e a identidade de classe, os tipos político-psicológicos de Lênin e a ocultação do sujeito da história.

Lutas Reais e Disputas Imaginárias separa a luta de classes das “políticas aquém” dela, num inventário crítico das ideologias que a substituem — o idealismo, o individualismo, o identitarismo, o moralismo, a social-democracia, a teologia da libertação, o liberalismo e o autoritarismo. A Classe do Capital e seu Sistema de Poder descreve como essa classe se mantém: do “direito divino” do capital ao imperialismo, da hegemonia financeira ao capitalismo de vigilância do século XXI.

O sexto capítulo, Os Caminhos da Vitória para a Classe Trabalhadora, é a virada estratégica: tática e estratégia classista, a questão nacional e a internacionalização, a hegemonia cultural, a política do dia a dia, uma nova ética. No centro de tudo, a distinção que dá título ao livro: a “grande política”, em que as classes disputam a hegemonia, e a “pequena política”, que aceita a derrota como natural.

O método é a dialética da materialidade histórica, “partindo da realidade para a realidade”. Azevedo declara sua linhagem: uma “senda” com “raízes no fogo de Heráclito de Éfeso”, que “aprende a lógica dialética em Hegel, materializa-se com Marx e Engels, toma força com Nietzsche e define-se em prática com Lênin”, até Mao, Fidel, Losurdo e, no Brasil, Marini e a Teoria Marxista da Dependência. É também uma polêmica contra os “marxistas sem classe” — e um instrumento, que quer transformar o leitor de espectador em “jogador ativo de seu destino”.

A vitória na política não é fruto do acaso e tão pouco de um destino histórico, é o resultado das movimentações das classes sociais. O campo onde se dá o embate de forças sempre está aberto ao novo, mas só vence quem entende as regras da luta e entra para vencer, nós da classe trabalhadora só temos o caminho do engajamento na grande disputa da política para traçar os rumos da nossa história.